A companheira mais fiel - Kazuaki Tanahashi

“‘Não sou o autor’ são textos que não escrevi e vídeos que não produzi, mas que gostaria de ter sido o autor.
Deixo-os aqui registrados para que eu possa ler novamente em algum momento no futuro.”

A companheira mais fiel | Kazuaki Tanahashi

Ninguém gosta de morrer ou que outras pessoas morram, então temos uma tendência a evitar o assunto.

Nós não falamos sobre isso, é um tabu e assim por diante.

Mas quanto mais evitamos, mais problemas acontecem e se enfrentarmos o fato de que estamos todos destinados a morrer e que não sabemos quando morreremos, pode ser muito rápido ou talvez leve algum tempo, mas não importa se você é jovem ou velho, todos nós encontraremos a morte, a qualquer momento, não sabemos quando isso acontecerá.

Então, por que não olhar para ela e de fato contemplá-la e encontrar uma maneira de lidar com ela?

Então, primeiramente, a morte é uma companheira muito fiel, sempre a morte estará ao nosso lado e nunca irá embora, seu parceiro ou namorada ou esposa ou marido pode dizer:

“Você está livre agora, você pode ir!”

Mas a morte nunca diz isso.

E então por que não pensamos nela como a companheira mais bela?

“Eu gosto de estar sempre com você…

Você não irá embora, de qualquer forma então eu gosto de estar com você e eu gosto de desfrutar da sua companhia.”

Então, ver a morte como a companheira mais bela é uma maneira de lidar com a morte.

E com base nisso, como vivemos.

Certo, não sabemos quanto tempo viveremos, então precisamos viver plenamente a cada momento.

Essa é a ideia.

E então o que eu tenho feito com hospices em diferentes países é capacitar voluntários ou clínicos, assistentes sociais, enfermeiros e médicos, para fazer esse trabalho, o que eu chamo de “Círculo da Vida”.

Então pergunte à pessoa que está diante da morte, pergunte-se também, uma frase, um lembrete, que tipo de coisas eu gostaria de dizer?

Algo curto para repetir para mim sempre que eu enfrento dificuldades ou a morte, “Respire e sorria.”

Essa é uma maneira muito boa de determinar nossa consciência quando estamos diante da morte ou “Eu gosto de ser amoroso, grato.”

Esta é uma. ou talvez se você for cristão, você pode dizer talvez: “Jesus, minha alegria!”

Esta é uma grande música de Bach.

“Jesus, minha alegria” é uma forma maravilhosa de morrer e se você é budista, talvez um mantra seja bom, “Gate gate…” ou qualquer tipo de mantra.

“Sva Ha!” é bom.

“Alegria, bênção, êxtase!”

“Sva Ha!”

Então, é assim que moldamos nossa consciência.

Nós combinamos com um círculo.

Usamos pastel oleoso sobre papel e depois fazemos sete círculos.

O primeiro está feito e o segundo está feito, mas fica bom e depois usamos outros sete círculos sobrepostos com outra cor e depois outra cor, três cores.

Então vai parecer uma rosquinha

Mas mesmo que as pessoas estejam deitadas na cama, muito perto de morrer, elas também podem fazer isso.

E então olhamos para a imagem, podemos esquecer as palavras, mas isso nos lembra da alegria das várias cores e forma maravilhosa para o tempo da morte.

Eu acho que seria bom ter música também.

Ouça este texto na voz de Kazuaki Tanahashi:

SOBRE O AUTOR:

Nascido no Japão em 1933, Kazuaki Tanahashi é artista, tradutor, ativista e erudito Zen Budista. Mudou-se para os Estados Unidos em 1977 para atuar como tradutor e professor residente no San Francisco Zen Center (fundado por Shunryu Suzuki Roshi). Mestre calígrafo e artista treinado no Japão, tem ensinado e feito exposições ao redor do mundo há 50 anos, é criador do gênero de pintura em um único traço e dos círculos Zen multicoloridos. Escritor, editor e tradutor prolífico, produziu mais de quarenta livros em inglês e japonês, incluindo o conjunto amplo dos ensinamentos do Mestre Zen Dogen. Como ativista ambiental, foi o secretário fundador do Plutonium Free Future. Ativista da paz, trabalhou contra a corrida armamentista nuclear e nas duas Guerras do Golfo, é diretor fundador do Ten Millenium Project e da iniciativa A World Without Armies para a desmilitarização das nações. Também é membro da Academia Mundial de Arte e Ciência, fundada por Albert Einstein. Para saber mais: https://www.brushmind.net/

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About the Author: Rafael Stein

Rafael Stein é pai da Maria Clara e do Francisco, autor do cartasparamaria.com.br no qual escreve cartas e bilhetes para que seus filhos leiam no futuro, coautor do livro "Luto por perdas não legitimadas na atualidade", voluntário na Casa Paliativa, membro do projeto Luto do Homem.

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One Comment

  1. Virginia dezembro 22, 2019 at 7:17 pm

    Que forte e verdadeiro Rafael!

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