Maria, Francisco,
em meio a tudo o que vivemos nos últimos dois anos, a chegada da Helena é mais do que bênção: é um raio de sol.
Um lembrete de que a dor passa e que a vida insiste em florescer.
Quando soubemos da notícia, eu e a mamãe ficamos tomados por uma alegria indescritível.
De imediato, ela começou a imaginar vocês juntas, inventando histórias, crescendo lado a lado, dividindo momentos.
Confesso que me surpreendi quando o tio ligou dizendo que seria pai.
Pude quase ver seu rosto: o sorriso nervoso, a ansiedade de quem vai mergulhar na paternidade.
Na hora, me bateu a realidade — meu irmão menor estava prestes a virar pai.
E, no meu imaginário, ele ainda era aquele garoto que ficou para trás quando, aos 16, eu saí para estudar em outra cidade.
Naquela época, não havia facilidade de comunicação.
Passei mais de oito meses sem vê-lo, até que decidiu morar comigo em Campinas. Conseguiu o primeiro emprego no mesmo lugar onde eu fazia estágio.
Foi ali que conheceu a Gabi.
O primeiro evento da família em que ela apareceu foi justamente o aniversário de um ano da Maria.
Lembro do telefonema: “posso levá-la?”
E desde então ela nunca mais saiu das nossas fotos — nem da nossa vida.
Pensar na Helena me emociona.
Ela significa mais do que um nascimento:
é também memória das conversas com a mamãe,
é ver o tio Gustavo se transformar em pai,
é esperança de que a vida segue abrindo espaço mesmo quando parece impossível.
A mamãe tinha um desejo imenso de conhecer a Helena.
Falamos muito sobre isso.
Aceitar que não seria possível doeu fundo.
Ainda dói.
Mas ela dizia que encontraria a Helena no Caminho.
E que falaria dela pra vocês.
Conhecendo a mamãe, sei: não deve ter parado de falar.
E assim, entre dor e esperança, alegria e saudade…
ecoando tudo o que a mamãe sonhou, só nos resta dizer:
Chega logo, Helena.