Parece simples. Parece fácil.

Mas nem sempre é…

O entendimento usual, na nossa cultura, é que pedir ajuda é um traço de fraqueza. Se você for homem, então, isso te coloca em uma posição de ser humilhado, reduzido a um estereótipo pequeno e chorão.

Assim, suportamos com a cara amarrada e uma lágrima de canto de olho as dores da vida. Seja para as grandes ou pequenas necessidades, o silêncio vai fazendo morada, o distanciamento começa a erguer seus muros, a solidão se instaura e, de repente, é como se a prisão fosse trancada com sete chaves. É difícil sair.

O orgulho de achar que não precisa de ninguém (ou a falta de coragem de admitir o contrário) bate como hemorragia interna. Uma hora você cai e aí já é tarde demais.

Você não precisa abrir todos os problemas da sua vida pro primeiro estranho que aparecer. Mas tente pedir ajuda com tarefas simples, em princípio.

Quando admitimos que precisamos de ajuda e nos mostramos vulneráveis, há uma oportunidade imensa de criarmos uma conexão muito crua, poderosa, sem os subterfúgios e armadilhas de tentarmos parecer maiores ou mais fortes do que realmente somos.

Ao pedir ajuda criamos também a oportunidade para que o outro exerça a sua generosidade e talvez desperte algo que ele nem mesmo tenha percebido que existia dentro dele.

Se tudo der certo, duas pessoas saem felizes da situação. Você, que conseguiu companhia, criou um vínculo e teve ajuda prática com alguma questão sua. E a outra pessoa, que pôde ajudar.

Agora começa a história que quero lhe contar…

Durante o tratamento da mamãe nos deparamos com diversas situações que não estávamos preparados ou não havíamos nos planejado. Desde de situações complexas que tinham relação direta com o tratamento à tarefas do dia a dia como ir buscar você na escola. Muitas destas atividades sempre foram da mamãe, mas hoje ela não pode realizar com frequência.

A mamãe e papai tiveram que tomar decisões difíceis (principalmente a mamãe) e invariavelmente precisávamos abrir mão de alguma coisa.

Em muitas destas situações nos vimos vulneráveis e impotentes sem saber por onde começar. Mas desde o início do tratamento recebemos muita ajuda que chegaram das mais diversas formas.

Diversas mensagens de apoio, preces e orações das mais diversas religiões, apoio incondicional da família, um abraço, amigos que levaram a mamãe para o tratamento em outra cidade, um livro sobre alimentação, flores, lenços, indicações de tratamentos, um bolinho deixado na portaria com um bilhete carinhoso, uma marmita feita com todo carinho no dia em que a mamãe tomava o remédio e precisava descansar, uma carona para escola, congelados para o final de semana, uma amiga que planejou tudo e levou a mamãe para uma consulta em outra cidade, uma festa de aniversário surpresa, tratamentos alternativos como a Yoga, uma prece feita por amigos enquanto faziam o Caminho de Santiago em um ano que eu faria o caminho, a visita médica em casa, a enfermeiras que sentem na pele e empaticamente vivem tudo com a gente!

Muita coisa não é?

Foram e são tantas demonstrações de carinho e amor que fica difícil enumerarmos todas aqui, porém cada uma fez a diferença em nossa vida!

Recentemente nos vimos em mais uma situação onde não sabíamos como resolver. A mamãe precisava realizar um exame que é feito nos EUA (fora do Brasil) cujo valor é muito alto e, neste momento, o papai não tem o dinheiro para pagar o exames e os custos desta nova fase do tratamento. Recorremos ao plano de saúde que negou o pagamento do exame e, ainda sem saber como resolver a situação, fomos surpreendidos com a atitude de uma pessoa que se organizou e mobilizou um grupo para nos ajudar. O que era para ficar restrito a este grupo acabou se espalhando entre amigos, familiares e pessoas que nem conhecemos. A mobilização foi tão grande que em pouco tempo já tínhamos arrecadado o valor necessário para o exame e ainda para ajudar no tratamento da mamãe. Foi realmente emocionante!

Então, Maria, não seja como seu pai. Experimente pedir ajuda! E, principalmente não deixe de ajudar, nunca!!!

Podemos ajudar das mais diversas formas.

Muitas vezes pensamos em ajudar, mas consideramos aquilo um gesto muito pequeno. Pensamos que para ajudar precisamos de tempo, dinheiro ou qualquer coisa que seja. Porém ajudar é muito fácil, sempre temos algo a dar que não dependa de nada nem de ninguém! É só estar disponível e aberto para aquilo que pretendemos realizar!

Aquilo que consideramos pequeno demais faz toda diferença para àquelas pessoas que estão passando por uma situação difícil, seja ela qual for.

Pequenos gestos, considerados pequenos mas não são e, até por isso, deixamos de fazer por acharmos pequenos demais fazem toda a diferença para àquelas pessoas que estão passando por uma situação difícil, seja ela qual for!

Este texto foi inspirado e adaptado do artigo Peça Ajuda, publicado neste link https://goo.gl/zNZjjr (Papo de Homen) cujo autor é Luciano Andolini

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About the Author: Rafael Stein

Rafael Stein é pai da Maria Clara e do Francisco, autor do cartasparamaria.com.br no qual escreve cartas e bilhetes para que seus filhos leiam no futuro, coautor do livro "Luto por perdas não legitimadas na atualidade", voluntário na Casa Paliativa, membro do projeto Luto do Homem.

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