impermanência | Allan Dias Castro

“‘Não sou o autor’ são textos que não escrevi e vídeos que não produzi, mas que gostaria de ter sido o autor.
Deixo-os aqui registrados para que eu possa ler novamente em algum momento no futuro.”

impermanência | Allan Dias Castro

Se tudo que a gente planejou tivesse dado certo alguns dos nossos melhores momentos não teriam acontecido.

Trocar a frustração por aprendizado é entender que todo o plano que dá errado mostra um caminho que não foi escolhido.

Ou a gente aprende a ver por outro lado ou passa essa vida reclamando que tá perdido pelo
simples fato de as coisas terem mudado.

É que a gente anda tão ocupado que talvez tenha esquecido a mudança é a única certeza.

Que venham as boas surpresas porque estar vivo, estar vivo é ser surpreendido.

E toda vez que eu estou preso aquela falsa sensação de segurança que o apego trás eu lembro que um dia eu tava na beira da praia observando uma mãe com filho brincando, assim na beira do mar eles tinham um balde e com o maior esforço de fazer uma escultura perfeita e cada vez que conseguiam vinha a onde e derrubava.

E ai eles riam e recomeçavam.

E por terem aprendido a construir tudo da primeira vez eles não tinham medo de começar de novo

E ai eu aprendi que a graça era o processo.

Todos os castelos ruíram ficou vínculo que eles construíram.

Porque não era o resultado, era experiência e talvez a beleza da vida seja realmente a  impermanência.

Deixa o tempo decidiu que vai passar.

Quantos planos são castelos em frente ao mar.

Quantas certezas vão desabar.

Porque a ilusão é levar a sério demais ou “para sempre” ou o “nunca mais”.

Aproveite o durante ele dura o que for.

Seja areia ou seja amor

Ouça este poema na voz do poeta Allan Dias Castro:

SOBRE O AUTOR:

Allan Dias Castro é poeta e tem a escrita como base para todos os seus projetos, de letras de música a programas de tv. Formado em Comunicação Social pela ESPM-RS, cursou Escrita Criativa na Escola de Escritores de Barcelona, na Espanha.

Gaúcho radicado no Rio de Janeiro, Allan lançou seu primeiro livro, O Zé-Ninguém, em 2014. Suas letras já foram musicadas por grandes nomes, como Roberto Menescal, e ele já declamou seus poemas ao lado de artistas como Oswaldo Montenegro e Marcos Suzano.

Desde 2016, integra o Reverb Poesia (@reverbpoesia), banda que viaja por todo o Brasil apresentando sua mistura de música e poesia falada. Com o Voz ao Verbo, projeto de vídeos com poemas autorais que deram origem a este livro, busca facilitar o acesso do público à poesia.

“Poeta é quem toma liberdades com a língua e o Allan Dias Castro faz isso com maestria. Sua poesia, sua prosa poética, seus epigramas e aforismos – e suas letras de musica – são exercícios de extrema liberdade. E entre o lírico, o satírico e o bem bolado, ele nos leva junto em cada voo.” Apresentação de Luis Fernando Verissimo para “O Zé-Ninguém”, livro lançado em 2014.

Você pode ler mais e conhecer o Allan Dias Castro: allandiascastro.com.br

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About the Author: Rafael Stein

Rafael Stein é pai da Maria Clara e do Francisco, autor do cartasparamaria.com.br no qual escreve cartas e bilhetes para que seus filhos leiam no futuro, coautor do livro "Luto por perdas não legitimadas na atualidade", voluntário na Casa Paliativa, membro do projeto Luto do Homem.

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