“‘Não sou o autor’ são textos que não escrevi e vídeos que não produzi, mas que gostaria de ter sido o autor.
Deixo-os aqui registrados para que eu possa ler novamente em algum momento no futuro.”

VOZ AO VERBO 109 – o barco

Às vezes é muito difícil tomar a decisão de resolver os nossos problemas antes de querer ajudar todo mundo.

Porque isso pode nos afastar de quem a gente ama e parecer egoísmo.

Mas não se iluda enquanto todo mundo só reclama ninguém se ajuda.

Penas nos teus amigos, na tua família como um barco navegando juntos, todo no mesmo mar mas cada pessoa ali dentro leva em si uma tempestade particular.

E quando essa força conjunta conseguem evitar que os ventos afundem o barco é saudável para todo mundo permanecer ali.

O problema é quando os ventos das tempestades individuais tomam um proporção tão grande que ninguém consegue resolver nem a sua.

E aí você vê que o barco está afundando e quer ajudar as pessoas dizendo:

“Você não está vendo?”

“Você precisa sair daqui”

E sem perceber que você também ainda está ali.

E nesse momento o primeiro a sair do barco foi o último a desistir.

Porque já que ali não tinha ajuda foi ele quem teve coragem de pedir.

Tem momentos em que voltar para a areia nos faz entender melhor o mar.

E é ai que se afastar não significa abandonar todo mundo.

É vir à tona para respirar fundo e voltar mais forte.

Poeque só consegue retomar a direção do barco aquele que encontrou o seu norte.

Então, lembra que tomar a iniciativa de parar de nadar contra a maré e sair da correnteza se afastando só um pouco para o lado não é egoísmo é cuidado.

As pessoas que realmente te amam querem te ver bem e é resolvendo as tuas tempestades que você ajuda eles resolverem as deles também.

Então, vai retoma o controle do teu barco depois leva a calmaria para alguém.

Ouça este poema na voz do poeta Allan Dias Castro:

SOBRE O AUTOR:

Allan Dias Castro é o criador do Programa Dando as Letras e o autor do livro “O Zé-Ninguém”, lançado em 2014. Escritor e letrista radicado na cidade do Rio de Janeiro desde 2010, vem somando parcerias com importantes nomes da MPB, de diferentes estilos e gerações. Allan escreve música e sobre música, colaborando com sites, revistas e jornais.

“Poeta é quem toma liberdades com a língua e o Allan Dias Castro faz isso com maestria. Sua poesia, sua prosa poética, seus epigramas e aforismos – e suas letras de musica – são exercícios de extrema liberdade. E entre o lírico, o satírico e o bem bolado, ele nos leva junto em cada voo.” Apresentação de Luis Fernando Verissimo para “O Zé-Ninguém”, livro lançado em 2014.

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