“‘Não sou o autor’ são textos que não escrevi e vídeos que não produzi, mas que gostaria de ter sido o autor.
Deixo-os aqui registrados para que eu possa ler novamente em algum momento no futuro.”

VOZ AO VERBO 114 – sem filtro

Quando a gente se perde naquela cobrança de ter que ser feliz o tempo inteiro acaba perdendo a chance de um sorriso sincero.

E até desaprende a sorrir.

Porque a felicidade é conseguir botar “eu agradeço” no lugar do “eu quero”.

E a nossa insatisfação vem de pensar que dar satisfação é mais importante do que sentir.

O sentimento verdadeiro não tem prazo de validade nem depende de alguém para validar.

É só reparar quem precisa provar que é feliz dificilmente está.

Eu tento encarar a vida como um álbum sem filtro. E completo.

Onde os erros não deixam de existir só poque eu os deleto.

Errei, aprendi, não repeti.

A gente foca na perfeição e esquece que na vida real a gente treme de medo, de raiva, de vontade de dado a volta por cima.

Mas o que mais a gente teme, na realidade é o que mais ensina.

Você consegue chorar sem se sentir culpado?

Você consegue sorrir se não tiver sendo filmado?

Nem só de stories é feita a nossa história.

Eu troco um cartão com momentos vazios por uma mente lotada de memórias.

Ninguém precisa seguir um padrão de comportamento, uma regra, um modelo.

Porque negar um sentimento não significa resolvê-lo.

Eu não deixo a tristeza entrar mas eu a percebo de portas abertas.

Não para que ela se sinta à vontade mas para que a felicidade consiga voltar.

A graça está exatamente ai em entender que não precisa ser feliz o tempo inteiro.

E quando a realidade é nosso filtro nem sempre você vai sorrir.

Mas todo sorriso vai ser verdadeiro.

 

Ouça este poema na voz do poeta Allan Dias Castro:

SOBRE O AUTOR:

Allan Dias Castro é o criador do Programa Dando as Letras e o autor do livro “O Zé-Ninguém”, lançado em 2014. Escritor e letrista radicado na cidade do Rio de Janeiro desde 2010, vem somando parcerias com importantes nomes da MPB, de diferentes estilos e gerações. Allan escreve música e sobre música, colaborando com sites, revistas e jornais.

“Poeta é quem toma liberdades com a língua e o Allan Dias Castro faz isso com maestria. Sua poesia, sua prosa poética, seus epigramas e aforismos – e suas letras de musica – são exercícios de extrema liberdade. E entre o lírico, o satírico e o bem bolado, ele nos leva junto em cada voo.” Apresentação de Luis Fernando Verissimo para “O Zé-Ninguém”, livro lançado em 2014.

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