“‘Não sou o autor’ são textos que não escrevi e vídeos que não produzi, mas que gostaria de ter sido o autor.
Deixo-os aqui registrados para que eu possa ler novamente em algum momento no futuro.”

VOZ AO VERBO 111 – simplesmente

Quando a gente se acostuma a ficar em silêncio por achar que vai dizer o óbvio ou, sei lá, por medo de se repetir a gente pode perder a chance de falar exatamente o que outro precisava ouvir.

O mais simples às vezes é mais complicado de dividir porque quando é da boca para fora é mais do que falar é sentir.

Só que guardar um sentimento bom é sufocar um coração que já não está cabendo em si.

E ter coragem de se expressar é como abrir uma porta de um cofre que a gente leva aqui dentro sei lá com quantas chaves uma é para pegar aquele impulso de dizer simplesmente: “oi eu senti tua falta” e deixar sufocado.

E outra chave é para deixar trancado o desejo de dizer:

“você faz a diferença na minha vida”

“obrigado”

Ou a clareza de um:

“me desculpe, eu estou errado”

Ou “eu só confio em mim pelo fato de um dia você ter confiado”.

E sei lá quantas chaves são necessárias para manter o peito apertado de tanto “eu te amo” guardado em segredo.

E repara de quem a gente tem medo dos nosso melhores amigos, nossos pais, da pessoa que está do nosso lado.

É por isso que dizer o simples é não deixar que essa rotina nos engula ou que o óbvio nos intimide.

A gente aprendeu que ganha mais quem acumula mas tem coisas que só tem valor quando a gente divide.

Então para que tudo de bom ai dentro desse cofre não vire arrependimento saia da dúvida do silêncio para a clareza da simplicidade e mude o hábito de fica na vontade de expressar um sentimento por ficar à vontade de dizer o que sente.

É isso, apenas fale simplesmente.

 

Ouça este poema na voz do poeta Allan Dias Castro:

SOBRE O AUTOR:

Allan Dias Castro é o criador do Programa Dando as Letras e o autor do livro “O Zé-Ninguém”, lançado em 2014. Escritor e letrista radicado na cidade do Rio de Janeiro desde 2010, vem somando parcerias com importantes nomes da MPB, de diferentes estilos e gerações. Allan escreve música e sobre música, colaborando com sites, revistas e jornais.

“Poeta é quem toma liberdades com a língua e o Allan Dias Castro faz isso com maestria. Sua poesia, sua prosa poética, seus epigramas e aforismos – e suas letras de musica – são exercícios de extrema liberdade. E entre o lírico, o satírico e o bem bolado, ele nos leva junto em cada voo.” Apresentação de Luis Fernando Verissimo para “O Zé-Ninguém”, livro lançado em 2014.

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