Maria Clara e Francisco,
a mamãe dizia que Deus colocou anjos da guarda no nosso caminho.
E hoje quero falar de mais um deles.
Descobrir esse foi difícil.
A tia Elisângela usou uma tática incomum: se aproximou aos poucos.
A amizade entre Maria e Marina foi a primeira ponte.
Com o tempo, a mamãe e a tia Elisângela construíram as próprias, firmaram laços, criaram intimidade.
De repente, já eram amigas.
Lembro de perguntar para a mamãe:
— Mas quem é essa tal de Elisângela?
E ela responder:
— É a mãe da Marina.
A Marina, eu já conhecia bem.
Você, Maria, não parava de falar que ela era sua melhor amiga.
E conhecendo a Marina — essa criança especial — ficou mais fácil entender a mãe.
Mais difícil, na verdade, foi acreditar que a tia Elisângela ainda queria manter o disfarce de pessoa comum.
Juro que tentei, mas não consigo descrever a importância dela na vida da mamãe.
O amor e o carinho que se revelavam nos detalhes, nas pequenas coisas, eram únicos.
A mamãe sempre foi mais esperta que o papai.
Fez amizade primeiro com a tia Elisângela, e logo construiu uma nova ponte, que nos aproximou de toda a família.
Hoje conhecemos todos: o tio Ricardo, a doce Manu.
E percebemos que, sim, alguns anjos da guarda andam em bando.
São como no desenho “Os Incríveis”: uma família inteira incrível.
E é assim que eles estão ao nosso redor.
Basta prestar atenção.