“‘Não sou o autor’ são textos que não escrevi e vídeos que não produzi, mas que gostaria de ter sido o autor.
Deixo-os aqui registrados para que eu possa ler novamente em algum momento no futuro.”

VOZ AO VERBO 104 – troca de presentes

Muitas vezes eu me senti como já não fizesse parte da minha família.

E a cada visita que eu fazia parecia que eu estava indo me procurar.

Era aquele comportamento de anos de décadas atrás que os outros esperavam encontrar.

Mas ainda que se repitam os assuntos, as brigas e até as novidades o que acontece, na verdade é o óbvio: por mais que sejam os mesmos eles também vão mudar.

E essa é a real troca de presentes.

É o encontro do que o outro se tornou com quem você é nesse momento.

E sem aquele julgamento de que essa altura você já deveria ganhar aumento ou devia ter casado ou em quem devia ter votado ou que passou o ano de regime, mas parece ter engordado.

Não.

É sem parecer ou dever para que ninguém seja cobrado.

É isso, é menos “ter que” e mais ser quem você quiser porque ninguém tem que ser o seu passado.

E mudar.

Pode sim, ser uma coisa boa.

Muda quem cresce quem se conhece muda quem perdoa.

Por isso evoluir é reencontrar alguém e não encontrar a mesma pessoa.

É isso que venham as novidades dentro dos velhos abraços.

Que venhas a mudanças.

A gente só cria as boas lembranças quando entende que estar junto é o que importa de verdade.

Porque depois, é do agora que vamos sentir saudade.

Então reencontre aquelas mesmas pessoas lembrando que estarão diferentes a cada instante e que bom.

Porque aceitar a mudança é dar a chance de cada um se melhor do que era antes.

Ouça este poema na voz do poeta Allan Dias Castro:

SOBRE O AUTOR:

Allan Dias Castro é o criador do Programa Dando as Letras e o autor do livro “O Zé-Ninguém”, lançado em 2014. Escritor e letrista radicado na cidade do Rio de Janeiro desde 2010, vem somando parcerias com importantes nomes da MPB, de diferentes estilos e gerações. Allan escreve música e sobre música, colaborando com sites, revistas e jornais.

“Poeta é quem toma liberdades com a língua e o Allan Dias Castro faz isso com maestria. Sua poesia, sua prosa poética, seus epigramas e aforismos – e suas letras de musica – são exercícios de extrema liberdade. E entre o lírico, o satírico e o bem bolado, ele nos leva junto em cada voo.” Apresentação de Luis Fernando Verissimo para “O Zé-Ninguém”, livro lançado em 2014.

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