No espaço de poucos meses, o meu mundo mudou. Há pouco mais de um ano e meio me vi sozinho com meus dois filhos. Minha rotina precisou ser alterada e mudei a forma como enxergo a vida e meus relacionamentos.

A primeira decisão importante que envolvia as crianças estava relacionada à educação. A escolha da escola não é uma decisão fácil, eu sei! Mas o mais importante para mim, naquele momento, era que meus filhos fossem acolhidos. E foi isso que aconteceu.  Desde a reserva da matrícula feita pela Renata sem eu saber; da possibilidade de colocar o Francisco na mesma sala em que a Manu já estudava para que ele reconhecesse alguém próximo. Da mensagem da professora Carol para Elisângela contando a novidade e feliz que o Francisco seria aluno dela. Da recepção de toda a equipe da escola que, sabendo do nosso momento, se colocou à disposição para nos acolher.

Agora, no espaço de algumas semanas, o mundo inteiro mudou. Nossa rotina precisou ser alterada. Estamos mudando a forma como enxergamos a vida e nossos relacionamentos. 

Não está fácil para ninguém, estamos na mesma tempestade, mas não no mesmo barco.

As decisões mais importantes ainda envolvem as crianças e estão diretamente ligadas à educação. Com meus dois filhos em casa e com aulas no mesmo horário, como consigo acompanhar, dar atenção e ainda trabalhar?

As escolas, como instituições, estão sofrendo. Tiveram que se adaptar, planejar em meio a um caos que, uma vez estabelecido, vem se prolongando. Toda equipe, os professores também estão sofrendo. Como os professores se sentiram tendo que planejar aulas e reinventar a profissão? Não consigo imaginar, mas tenho certeza que os desafios, dificuldades e problemas são enormes.

Durante a semana que antecedeu o Dia das Mães, a orientadora pedagógica da escola (Mona), após conversar com a professora Camila,  entrou em contato para falar sobre o planejamento e a atividade que seria realizada em comemoração à data, pois queria se certificar que minha filha não passaria por nenhum incômodo. Carol, professora  do meu filho, fez o mesmo: entrou em contato para falar sobre a atividade e como gostaria de lidar com a situação. Isso tem a ver com cuidado, com ir além do pedagógico, tem a ver com acolhimento.

Para mim o mais importante ainda é que meus filhos sejam acolhidos.

Precisamos entender a escola como local de acolhimento, que cuida dos alunos do ponto de vista pedagógico e que forma cidadãos. Termos o olhar carinhoso para este espaço é fundamental. Precisamos apoiar a escola e as pessoas que estão por trás. Não é a escola, é a diretoria, é a equipe, são os professores, são as pessoas.

Que outra instituição acolhe o seu filho quando você não tem com quem deixar? Qual é o único lugar em que você leva o seu filho e tem tranquilidade? 

É preciso mais respeito entre escolas, gestores e pais. Não há como uma escola atender de forma individual cada família. Fazemos parte de um grupo, de uma comunidade.

Lembre-se: depois que tudo passar é a escola que vai acolher nossos filhos.

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About the Author: Rafael Stein

Rafael Stein é pai da Maria Clara e do Francisco, autor do cartasparamaria.com.br no qual escreve cartas e bilhetes para que seus filhos leiam no futuro, coautor do livro "Luto por perdas não legitimadas na atualidade", voluntário na Casa Paliativa, membro do projeto Luto do Homem.

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One Comment

  1. Vanda Rodrigues junho 1, 2020 at 10:11 am

    Bom dia Rafael. Tão bom o seu blog. Sou Psicóloga, sigo-o com muito carinho e atenção, desde Portugal. Tenho uma bebé chamada Maria e aprendo a ser boa mãe também com a sua força e perseverança. Mais do que nunca o mundo precisa de pessoas bravas e o futuro de bons pais. Um abraço forte, beijo do tamanho do mundo nessas crianças lindas, e muita força! Obrigado pela sua grandeza em partilhar.

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