Se você não consegue respirar, não consegue ajudar ninguém.
É simples. Parece fácil. Mas não é.
Em caso de despressurização, as instruções são claras:
“Coloque a máscara em você primeiro. Depois, ajude a criança ao lado.”
Nestes meses, me perdi na rotina.
Achei que meu dever era cuidar dos filhos antes de tudo.
Foram eles que perderam a mãe.
Eu precisava ser exemplo, me manter forte.
Por fora, parecia firme.
Por dentro, desmoronava.
Demorei para entender que não daria conta sozinho.
E precisei enfrentar a crença de que cuidar de mim era egoísmo.
Pior: que os outros me julgariam assim.
Mas pensei no futuro.
Se quero ser o pai que eles precisam, preciso começar por mim.
Então puxo a máscara.
Respiro.
E só depois posso ajudá-los.
Estou reorganizando a vida:
retomei o trabalho em algo que acredito, criei novas prioridades.
Comecei a meditar, fazer terapia, participar de grupos de homens para falar sobre masculinidade e paternidade.
Aprendi a dizer não.
Me reconectei com amigos.
Criei novas conexões.
Não deixei de cuidar deles.
Só não deixei de cuidar de mim.
E o melhor que posso fazer pelos meus filhos, agora,
é aprender a respirar.