Texto resumo poético da Natália André

Durante toda esta semana, aprendemos que ninguém está preparado para a morte, afinal, ela sempre será difícil, dolorosa, estranha, feia, nada cheirosa, repentina ou não esperada. Mesmo sendo uma bala perdida, um câncer metastático ou um suicídio. Mas, se pensarmos sobre a terminalidade, já ajuda bastante.

Também entendemos que tirar o maior proveito da vida pode ser um caminho. Porque tempo, ainda mais para quem descobre que o final está mais próximo do que imaginava, é valioso e talvez a única coisa que, realmente, pode curar. Não importa se em casa, na UTI ou no Zen Hospice.

Ouvimos de quem perdeu o filho de 2 ou 8 anos, que viver a morte é melhor do que ignorá-la. É importante sentir, tocar, cheirar e até fotografar, por que não?

E também não importa do que a pessoa morreu, mas, sim, e apenas, entender que ela se foi. Ou que você vai.

Falando nisso, conversamos muito sobre como morrer de forma mais digna, com menos processos invasivos e autonomia respeitada com cuidados paliativos e testamento vital.

Escutamos, de quem entende tudo sobre medicina e doenças complexas, que esperança e coragem impulsionam sonhos, para serem ajustados e realizados, e mostram novos caminhos para não desistir.

E que remédios importam, mas os maiores desconfortos são driblados com cuidado, escuta, empatia e amor.

Que quando você serve alguém, e isso pode ser feito por qualquer pessoa, parente, enfermeiro, voluntário, todo o mundo ganha. Porque cuidar é um ciclo transformador cheio de seres humanos comuns com super poderes como abraçar, beijar, escutar.

Ouvimos também de um arquiteto, que construções são mecanismos de resistência, força e superação. E eles podem ser um prédio, uma pessoa ou uma família.

Reforçamos que a medicina brasileira precisa mudar seu ensino estruturalmente para a maior atenção ao ser humano que está doente do que para a doença.

Que essa pessoa precisa ser validada com seus anseios, sonhos e medos. Que ela pode querer ficar grávida no futuro ou, simplesmente, continuar indo ao cinema.

A vida também pode te dar um filho de 80 anos, mesmo que você tivesse planejado nunca ter filhos. E você vai ter que repensar a rotina com um pai com uma doença degenerativa em casa.

Assim como ela pode tirar sua mulher, jovem, linda, mãe incrível, com um câncer agressivo, e você vai ter que repensar seu papel como homem e pai de uma menina, um menino e um cachorro.

Isso mesmo, nunca é uma boa hora para ficar doente. Amanhã, é Natal. Ontem, foi Dia dos Namorados. Hoje, tem Festival inFINITO. Mas a doença pode chegar. E aí?

E aí, que tem gente estudando de letramento da saúde ao processo de decomposição do corpo, para poluir menos o meio ambiente e respeitar ainda mais toda e qualquer crença. Não importando se é a borboleta amarela, que aparece sempre nos momentos mais marcantes da vida, ou se é fazer a barba do pai morto.

Foram 7 dias entendendo que quem vai continua morando dentro da gente e que viver a morte nos faz acessar amores que nem imaginávamos que existia.

Que o luto não é o fim, mas, sim, um recomeço cheio de opções como o Festival inFINITO, que nasceu da ressignificação de três grandes perdas minhas. A saudade vai estar aqui sempre, porque é o amor que permanece, mas o novo é lindo. É isso aqui.

Sobre o Festival inFINITO:

Site inFINITO: http://infinito.etc.br

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About the Author: Rafael Stein

Rafael Stein é pai da Maria Clara e do Francisco, autor do cartasparamaria.com.br no qual escreve cartas e bilhetes para que seus filhos leiam no futuro, coautor do livro "Luto por perdas não legitimadas na atualidade", voluntário na Casa Paliativa, membro do projeto Luto do Homem.

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