Leia ouvindo: José Gonzáles – Leaf Off/ The Cave

Neste últimos dias, eu li um texto que dizia para valorizar quem faz o trabalho invisível. O autor estava, de verdade, falando sobre as várias tarefas que a mulher faz e que nós, homens, não vemos ou não damos valor.

Daí eu refleti sobre essa VERDADE: eu não via mesmo! Eu nem tinha consciência que não via.

Não via, porque eu não fazia, porque eu não participava, porque eu não sabia, porque eu não estava lá por inteiro.

Hoje pela manhã, ao preparar o “tete” do  Francisco, me peguei, novamente, correndo, preocupado em chegar cedo ao trabalho. Entreguei o “tete” e logo virei para sair. Fui pego de surpresa com a frase: “papai, deita aqui comigo”. Respirei fundo, me dei conta que estava, novamente, ausente e não por inteiro para o que, realmente, importa. Tirei o sapato e deitei ao lado dele na cama. Enquanto ele mamava, eu recebia carinhos no meu cabelo. Quando terminou de mamar, me disse baixinho: “você é meu papaizão”. E tudo voltou ao seu devido lugar. Levantei, calcei os sapatos, me despedi com um beijo e um abraço apertado e fui trabalhar.

Hoje, sou obrigado a vivenciar essa jornada dupla, tripla da minha esposa e consigo ver o quanto ela fazia e o quanto eu, como pai, perdia  e deixava de receber por não estar presente.

Durante o tratamento da doença da Micaela,  eu deixei de ajudar e passei a estar presente. Passei a valorizar pequenas coisas e gestos, passei a cuidar dela e dos meus filhos. Nesses pequenos gestos foi onde encontrei amor e carinho e passamos a construir um caminho diferente.

Mi, hoje eu vejo.

Fotografia: Alexandre Battibugli

(Publicado originalmente no Cotidiano Dela)

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About the Author: Rafael Stein

Rafael Stein é pai da Maria Clara e do Francisco, COO da SmartMoney Ventures, investidora em startups em estágio inicial, autor do cartasparamaria.com.br no qual escreve cartas e bilhetes para que seus filhos leiam no futuro, coautor do livro "Luto por perdas não legitimadas na atualidade", voluntário na Casa Paliativa, membro do projeto Luto do Homem e voluntário na Fundação Elisabeth Kubler-Ross.

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2 Comments

  1. Berna agosto 29, 2019 at 3:20 am

    Parece que só percebemos as coisas quando perdemos algo. Isso é bom, parece nos acordar, nos tornamos mais humanos e misericordiosos.

  2. Keila dezembro 30, 2019 at 4:39 pm

    Se todos homens tivessem essa consciência, deixaria de ser nosso fardo

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