Nada nos prepara para ser Pai | Cartas para Maria

Nada me preparou para ser pai de uma menina.

Logo após o parto saio com a Maria do centro cirúrgico e vou ao encontro de todos da família que aguardavam para conhecê-la. Vejo meu pai no final do corredor, me emociono e ao caminhar me recordei do sacrifício que ele e minha mãe fizeram para criar 4 filhos homens.

Fiquei com medo, as minhas referências eram todas masculinas. Como eu conseguiria educar uma menina? Eu não estava preparado.

A paternidade para o homem demora para cair a fixa. Nós não somos preparados. Não brincamos de casinha, não brincamos de boneca.

Precisava aprender a brincar de casinha, brincar de boneca, ser mais sensível, se preocupar mais com os outros e aprender a dividir as tarefas de casa.

A Maria me obrigou a mudar, ver o mundo mais cor de rosa, enxergar mais heroínas do que heróis e querer um mundo mais justo para ela onde os direitos dela sejam assegurados, onde ela não seja assediada, onde ela ganhe o mesmo que homens e onde ela possa ser o que quiser.

Continuo com medo, as vezes um pouco mais, as vezes um pouco menos mas a disposição de mudar se renova a cada “bom dia papai” da Maria.

Homem que brinca com boneca:

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About the Author: Rafael Stein

Rafael Stein é pai da Maria Clara e do Francisco, autor do cartasparamaria.com.br no qual escreve cartas e bilhetes para que seus filhos leiam no futuro, coautor do livro "Luto por perdas não legitimadas na atualidade", voluntário na Casa Paliativa, membro do projeto Luto do Homem.

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