Continuo investigando e escrevendo sobre Anjos da Guarda, onde vivem, do que se alimentam e posso afirmar que eles usam de artifícios pouco usuais para esconder a sua verdadeira identidade.

Costumam se infiltrar em situações do nosso cotidiano, passando, muitas vezes, despercebidos aos nossos olhos. Precisamos estar muito atentos para reconhecê-los, pois eles não gostam de holofotes e muito menos chamar a atenção. Prezam pela discrição,

Para falar sobre esse Anjo da Guarda, em específico, precisei voltar no tempo para, então, começar a ligar os pontos dessa história.

Foi em um dos passeios diários, que a mamãe fazia com a Maria Clara até uma pracinha, que elas se conheceram. A tia Bruna também frequentava a mesma pracinha com a Juju. Desde então, tornaram-se encontros quase que diários.

Fiquei procurando, na memória, como nasceu a amizade entre a mamãe e a tia Bruna e, então, compreendi que não preciso saber, de fato, como criaram tamanho vínculo. Elas compartilharam momentos, ideias, risadas e lágrimas. A relação que elas construíram foi e, ainda é, muito bonita. É o suficiente.

Mas tem mais coisas a observar, pois esses Anjos da Guarda sempre andam em bando. Ainda tem a Juju e o tio Igor e se estende para toda família deles.

O primeiro “evento” familiar, que me recordo ter participado, foi um aniversário da Juju. Desde então, sempre estamos presentes e a verdade é que fomos acolhidos pela família toda desde sempre. E sabe de uma coisa? Como é bom se sentir parte de uma família sem ser (oficialmente) parte dela.

Sempre foi bom, mas, refletindo, só pude perceber a verdadeira identidade da tia Bruna quando recebemos a notícia do diagnóstico. Foi para a tia Bruna que a mamãe ligou para pedir referências sobre a equipe médica. Então, foi o tio Igor que nos tranquilizou e disse que estávamos em boas mãos. Logo na semana seguinte, começamos a quimioterapia e a tia Bruna passou a preparar comidinhas e separar em pequenas marmitas para que a mamãe pudesse descansar e não se preocupar.

Foi aí que ela se descuidou, revelando sua verdadeira identidade. Aquelas comidinhas não poderíamos encontrar em qualquer lugar. Cada alimento, era separado, cuidadosamente, em pequenas marmitinhas. Receitas que continham ingredientes como calma, tranquilidade, aconchego, carinho e amor.

A cada ciclo de quimioterapia, lá estava a tia Bruna com suas comidinhas. E foi assim durante todo o tratamento da mamãe.

É assim até hoje! Quando conversamos, tem sempre o assunto da comida, mas, ao invés das marmitinhas, agora, é a “Farofa de Cebola Caramelizada” do tio Igor. Confesso que, se tiver só a farofa, é o suficiente para o papai.

Eu pedi a receita para a tia Bruna. Quem sabe um dia vocês possam fazê-la. Mas não se esqueçam de que, no preparo, ainda vai calma, tranquilidade, aconchego, carinho e amor.

Como é bom ter eles por perto.

Farofa de Cebola Caramelizada

(Nome dado pelo tio Igor para valorizar a receita, por isso o nome chique)

Ingredientes:
– 4 cebolas médias
– 100 gramas de manteiga sem sal
– 50 ml de óleo de canola
– 300 gramas de farinha de mandioca
– 200 gramas de farinha de milho em flocos

Modo de preparo:
Cozinhar a cebola no óleo e manteiga em fogo baixo até a cebola caramelizar .
Tostar a farinha de mandioca em uma frigideira, separadamente, em fogo baixo .
Acrescentar a farinha de mandioca e milho à cebola .
Sal a gosto.

About the Author: Rafael Stein

Rafael Stein é pai da Maria Clara e do Francisco, COO da SmartMoney Ventures, investidora em startups em estágio inicial, autor do cartasparamaria.com.br no qual escreve cartas e bilhetes para que seus filhos leiam no futuro, co-fundador da Escola de Pai - espaço para a redescoberta da masculinidade e paternidade, membro do projeto Luto do Homem e voluntário na Fundação Elisabeth Kubler-Ross.

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One Comment

  1. Rosângela setembro 29, 2019 at 8:00 pm - Reply

    Perfeito!

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