Maria, Francisco,
muita gente tem medo de ter filhos.
Porque a vida muda para sempre.
Porque nada volta a ser como antes.
E é verdade.
Mas também é verdade que, quando temos filhos, nos tornamos melhores.
É isso que acontece comigo desde que vocês chegaram.
Eu não estava preparado para ser pai.
Queria muito, principalmente depois que conheci a mamãe.
Logo no início do namoro, já sonhávamos com vocês — imaginando como seriam.
E aí vieram.
E me obrigaram a mudar.
A enxergar o mundo mais cor de rosa.
A desejar mais heroínas do que heróis.
A querer justiça: um futuro em que vocês sejam respeitados, em que não sofram assédio, em que ganhem o mesmo que qualquer pessoa, em que possam ser o que quiserem.
Eu devo a vocês dois a parte mais bonita de quem eu sou hoje.
Aprendo mais com vocês do que aprendi em qualquer livro:
a respeitar, a amar, a ser gentil, a valorizar o presente, a entender que estamos aqui por pouco tempo.
É inevitável que estejamos mais juntos nesta nova fase.
Vocês têm me cobrado tempo, e eu sei: não basta estar perto, preciso estar inteiro.
Olhar no olho.
Ouvir o que vocês têm a me dizer.
Colocar tudo em off quando estivermos juntos.
Eu devo a vocês essa busca por uma vida com mais valor, mais sentido, mais significado.